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Muito temos ouvido sobre a perda de sentido do Natal. Ouvimos falar sobre consumismo, materialismos, sobre festanças e tudo mais. Chegam-nos e-mails falando que, para a sua própria festa, Cristo não está mais sendo convidado. Pode até ser verdade em alguns casos, mas, cada um ao seu modo, acaba por viver o espírito do Natal.
O fato é que, nesta época, há uma certa mudança de comportamento das pessoas. Elas se olham mais, se agradecem mais, se cumprimentam mais, sorriem mais. Muitos viajam para ver a mãe, o pai que não viam há tempos. Outros vão ver os filhos, visitar tios, tias, primos, primas, irmãos, irmãs, até amigos.
Juntamente com toda esta movimentação de pessoas pelo país e pelo mundo afora, vão presentes juntos. Lembramos das pessoas que são especiais para a gente e fazemos um esforço financeiro para poder presenteá-las. Fazemos um esforço maior ainda para que o Papai Noel traga um lindo presente para os nossos filhos e filhas. Mas, não pode ser qualquer um, há que ser aquele especial que ele(a) esperou o ano inteiro. Eles(as) mandam a cartinha para o Papai Noel e, na noite de Natal, lá está o presente.
Isto tudo não invalida o sentido do Natal, apenas complementa (embora não oficial, temos a imagem do Menino Jesus recebendo presente dos três Reis Magos). Presentear as pessoas que gosta é sinal de amor, de carinho e gratidão.
É fato, também, que na noite de Natal, a grande maioria das famílias para por um instante e reza. Cristo disse que onde houvesse uma reunião de pessoas em seu nome, poucas que fossem, Ele estaria presente. Acredito que na noite de Natal Ele estará presente na grande maioria dos lares brasileiros e dos países que comemoram o Seu nascimento no mesmo dia.
Meus caros, o problema não está na noite de Natal, não está no mês de dezembro. Dezembro, sem dúvida, é um mês atípico. As pessoas, via de regra, são mais felizes, vivem mais felizes. Bem ou mal, cada um ao seu modo, se reúne, vive o Cristo em sua alma. O nosso problema está nos outros meses do ano. Cristo não veio pelo Natal, tampouco para que dediquemos uma hora a Ele e ao Pai maior toda a semana. Ele veio para que vivêssemos o amor (no sentido de respeito, ou seja o amor incondicional, o amor de irmão, de pai e filho, sem cor, sem raça, sem religião, sem camisa de time de futebol - ou qualquer outro esporte -, sem partido político, um amor de aceitação - não de conformismo - para poder ajudar a quem precisa mudar para melhorar sua condição de ser vivente).
Assim, meus amigos, não me preocupo muito com o Natal, pois aqui, nesta data, na maioria das famílias, vejo o mundo que gostaria de ter. Vejo a paz, a união, o carinho, o respeito. Muitas inimizades são amansadas nesta época, mas são cultivadas nas outras. O nosso coração tem a semente do amor incondicional, mas o deixamos esvaziar durante o ano (em seu coração há um abrigo, mas está vazio, corre perigo - Catedral, O sentido). Enchemo-nos de paz agora e abrimos a válvula de escape no dia primeiro de janeiro (assim como rezamos na missa - ou no culto - e fazemos atrocidades com nossos irmãos durante a semana). Ouvi a fala do Padre Fábio de Melo, já há algum tempo, onde ele dizia que valia muito mais o tempo da missa vivido durante a semana do que o tempo em que a pessoa estava na própria missa (creio que isto valha para todas as religiões).
Finalizando, não creio que tenhamos perdido o sentido do Natal, no Natal. Não adquirimos o sentido dele e da vinda de Cristo durante o restante do ano. Este é o nosso grande desafio: entender que Cristo não veio para ser enaltecido, nem apenas comemorado (memorar com, relembrar junto), o que devemos fazer, sem dúvida, mas não como foco. Relembrar tem foco no passado e Cristo é presente, é um presente, é o presente. Que nos reunamos, que vivenciemos a paz nesta noite e que O comemoremos, não pelo passado, mas para que possamos viver o verdadeiro sentido do Natal durante todos os dias de nossas vidas. A fórmula? É como diz o grupo Catedral em O sentido: "é só amar, amar, cada um por cada um, eis o sentido". Feliz Natal nesta noite e em todos os dias de sua vida!
Claudinet Antônio Coltri Júnior é palestrante; consultor organizacional; coordenador da área de gestão da Educação Tecnológica do Univag e escreve em A Gazeta às quintas-feiras. Web-site: www.coltri.com.br - E-mail: junior@coltri.com.br - Twitter: http://twitter.com/coltri
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