Claudinet Antonio Coltri Junior

                      

 
  

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Criar, inovar e empreender
 


Está acontecendo nesta semana aqui em Cuiabá o terceiro Comagep (Congresso Mato-grossense sobre Gestão de Pessoas). É o maior congresso sobre o tema da região Centro-Oeste do Brasil. Nele, está se discutindo o tema (oportunamente) "Criar, inovar e empreender". É oportuno porque precisamos discutir este tema de um modo mais amplo, mais sistêmico. Criar, inovar e empreender nada mais é que saber lidar com as mudanças. Você sai de um estado atual para chegar a um estado futuro.

Compactuo com a definição trazida por Eugênio Mussak, onde, em outras palavras, diz que criar é inventar algo. Inovar é transformar esse novo em algo que sirva às pessoas (mas, ainda, na teoria), ou seja, que possa ter utilidade. Empreender é transformar esse novo que tem utilidade, em negócio (as coisas só chegam à gente através de negócios, de processos de entrega, de empresas).

Eduardo Carmello já fala em inovação e resiliência. Para ele, a resiliência é a força para implementar e manter algo, não no sentido de saber lidar com pressões (muito embora, caso você não saiba lidar com pressão e com tensões, não conseguirá implementar nada). Caso a gente não consiga implementar e manter, de nada adianta a inovação, tampouco a criação. Simplesmente trabalho perdido. E é aqui que está o "nó".

Vemos muitas ideias novas nas organizações, nas pessoas e nos governos. Somos (nós, seres humanos) criativos por natureza (dito, também, por Benetti em sua palestra). A criatividade é apenas o início do processo. O inovar é quase uma consequência disso. O empreender é mais difícil, mais "penoso". Muitos comemoram a criação e a inovação (e até a implantação) como se fosse o sinal da vitória. E é uma vitória, mas a vitória de uma batalha, não da guerra. Não podemos parar por aí.

E mais, muitos dos que estão criando e inovando não estão empreendendo no que têm que empreender. Não estão mantendo, cuidando, do que tem que manter e cuidar. Direcionam esforços e recursos para áreas novas em detrimento daquilo que ainda é necessário cuidado. É preciso entender que temos limitações de recursos (humanos, tecnológicos e financeiros). O que incomoda na criatividade e na inovação é transformá-las no foco.

Vemos muitas empresas, pessoas e governos investindo em criações e inovações antes de terem completado o ciclo de criação, inovação e empreendedorismo anterior. Quando fazemos isso, no fundo, não efetivamos a criação, portanto, ela passa a não fazer sentido. É perda de tempo e causa frustração. Parece que nada dá certo, parece que criar não é bom. Não há sentido em criar sem que a criação vire algo que as pessoas efetivamente usem.

Só, apenas e tão somente, levar um processo até o fim do ciclo é que nos dá expertise para entrar em outro ciclo. As empresas com foco estratégico em inovação agem assim (por incrível que possa parecer). Fora da crise (nela a coisa muda de figura), só quando sua empresa estiver "redonda" no que faz, é que deve pensar em novas criações, pois o empreender (já que o resultado só vai acontecer com ele) é o foco (e não a criação, tampouco a inovação). Quando você, pessoa, estiver bem naquilo que se propôs a fazer, pode pensar em criar novamente. Precisamos criar a cultura da criação, inovação e do empreendedorismo (em sequencia). Você cria para empreender, não empreende para criar. Caso aja no segundo modelo, o criar, inovar e empreender, acaba virando o beber, cair e levantar (para, então, beber, cair e levantar para então...).

Claudinet Antônio Coltri Júnior é palestrante; consultor organizacional; coordenador da área de gestão da Educação Tecnológica do Univag e escreve em A Gazeta às quintas-feiras. Web-site: www.coltri.com.br; E-mail: junior@coltri.com.br; Twitter: http://twitter.com/coltri


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