Claudinet Antonio Coltri Junior

                      

 
  

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11/9 ou 9/11?
 


Existe uma data que não nos deixam esquecer que é a de 11 de setembro (devido ao ataque supostamente liderado por Osama Bin Laden). É, sem dúvida, uma data triste.

Nós, com o hábito de nos importarmos muito com as desgraças e menos com os fatos que nos trazem boas recordações, esquecemos a data que, por acaso ou não, tem os mesmos números dos de 11/9, porém invertidos (9/11). Precisou chegar aos 20 anos para relembrarmos com afinco o dia 9 de novembro de 1989, dia em que caiu o muro de Berlim. Pelo menos neste ano de 2009 a data foi bem comemorada. É certo que há certo exagero e uma interpretação talvez não condizente com a pura realidade dos fatos.

Muito se fala da libertação do lado oriental da Alemanha (que foi verdadeiro), mas, muito mais do que isso, a caída do muro é um marco (não a data em si, mas o período histórico em que ocorreu) para a liberdade de todos os povos que sofreram com a Guerra Fria. A ausência de liberdade foi sentida pelos países que se subordinavam aos dois lados (capitalistas e socialistas). Vivemos, nós brasileiros, uma ditadura que durou mais de 20 anos (mais cinco de governo eleito indiretamente). A queda do muro foi representativa para que os países dos dois lados pudessem começar a escolher com um pouco mais de autonomia o seu próprio destino.

Porém, com o passar dos dias, naquele ano, nem tudo foi festa. Poucos dias depois do 11/9, tivemos o nosso 15/11 com a volta da eleição direta para presidente da República (o que para nós, brasileiros, era sim, motivo de grande festa). Mas, o que era só alegria, acabou virando uma grande frustração. O presidente eleito na época, Fernando Collor, inaugurou o seu governo nos privando da liberdade econômica, retendo quase todo o dinheiro depositado em bancos. Quase todos os brasileiros e brasileiras passaram por sérias dificuldades financeiras. Muitos suicídios ocorreram. Era o nosso prêmio pela chegada da liberdade.

Algo parecido ocorreu com os alemães orientais. Depois de todo o "auê" pela derrubada do muro, eles começaram a vestir camisetas com o escrito: "Queremos o muro de volta". Do lado de lá, eles tinham saúde, comida e educação. O capitalismo os privara disso. A Alemanha Ocidental não estava preparada para receber a demanda de empregos dos orientais, nem eles estavam preparados para o mercado de trabalho capitalista.

O fato é que as duas grandes potências (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e Estados Unidos da América) nos enxergavam como meros "bonequinhos" e brincaram muito com a gente (o que a Alemanha nazista fez com os supostos inimigos, elas, as grandes potências, fizeram com os aliados). Fomos expostos a violências desnecessárias e covardes. As pessoas que viviam nos países comunistas não podiam deixá-los. Nós, que vivíamos nos países capitalistas (principalmente os do terceiro mundo), ficávamos expostos aos governos ditatoriais financiados pelos Estados Unidos. Muitas vidas foram tiradas por ambos os lados.

Problemas de transição à parte, a liberdade que veio representada pela queda do muro de Berlim não era apenas para os comunistas e socialistas, mas para nós (latino-americanos), também. Foi a nossa chance de começarmos a nos livrar da opressão sofrida.

Trazendo isso para o nosso cotidiano, vemos que, no fundo, todos nós estamos presos por muros emocionais. Às vezes, nos prendemos em relacionamentos; outras vezes criamos muros que não nos possibilitam o envolvimento com outras pessoas (há um muro de concreto entre nossos lábios, há um muro de Berlim dentro de mim - Engenheiros do Hawaii, Alívio Imediato).

É claro que é triste o que ocorreu em 11 de setembro de 2001 e, em sendo assim, devemos sempre relembrar este dia. Mas é preciso que não percamos de vista o 9 de novembro de 1989 para que possamos, nem que seja uma vez ao ano, relembrar que podemos derrubar os muros que suprimem a nossa liberdade de viver, mesmo que ela nos cause um desconforto no momento em que estão sendo destruídos (como os alemães orientais e nós no início do governo Collor). Que você aproveite o momento e derrube os muros de Berlim que há dentro de você. Pense nisso.

Claudinet Antônio Coltri Júnior é palestrante; consultor organizacional; coordenador da área de gestão da Educação Tecnológica do Univag e escreve em A Gazeta às quintas-feiras. Web-site: www.coltri.com.br - E-mail: junior@coltri.com.br - Twitter: http://twitter.com/coltri


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