Claudinet Antonio Coltri Junior

                      

 
  

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A preocupação é a imaginação no lugar errado - Jim Fiebig

 
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Por amor às causas perdidas
 


Uma das grandes dificuldades que o ser humano tem é a descoberta do que gosta de fazer profissionalmente. Paradoxalmente, eu penso que um dos erros que cometemos é procurarmos pelo que gostamos levando em consideração exatamente uma profissão em si. A cada dia me convenço mais que não é este o caminho. Devemos procurar por um autoentendimento, descobrir e analisar as tarefas que sentimos prazer em executar. A partir daí, qualquer profissão que nos permita executá-las poderá ser prazerosa.

A nossa infância nos mostra muito do que poderemos e gostaremos de fazer. Eu, por exemplo, gostava (e gosto) de música (ouvir e tocar), sonhava escrever um livro, adorava jogar futebol, ver filmes, interpretá-los, e tinha (e ainda tenho) uma enorme atração pelo quase impossível.

Pela lógica, eu poderia ser músico, escritor, jogador de futebol e, talvez, cientista. Acabei me formando em odontologia. Alguns anos foram felizes, outros não, até que descobri a importância de se fazer aquilo que te faz completo, que te faz ser único e que, em sendo bom para você, pode fazer outras pessoas felizes. Entres os fatores que me influenciavam, o que foi determinante foi a enorme atração pelo quase impossível.

Em busca da realização do quimérico, resolvi ser palestrante, consultor de organizações e professor universitário. Uma das primeiras coisas que me impulsionaram foi a interpretação de um verso da música do já quase esquecido conjunto Zero (se você se lembra deles é porque o peso da idade está chegando...), que dizia assim: "não consigo mais sonhar, já me basta o que vivi, sofrendo ao desejar, quimeras que eu não consegui". Em um primeiro momento, podemos pensar que "quimeras que não consegui" seja pleonasmo. Mas, em significado mais amplo, quimera é algo impossível dentro da temporalidade. Pode ser impossível hoje, mas lá frente, em outro tempo, não. Portanto, o que é quimérico hoje pode não ser em tempo futuro. E acreditando nisso, me coloquei no caminho.

Hoje, tenho certeza que quimeras são realizáveis. Dentre todos os sonhos que foram surgindo na minha vida, o de ser professor foi algo especial. Foi um árduo caminho. Recebi ajuda de algumas pessoas (a maioria, meus professores de pós-graduação). Essas pessoas, esses professores, acreditaram, também, na minha quimera. Professores são realizadores de sonhos. Mais que isso, são realizadores de quimeras. São eles que auxiliam você a realizar aquilo que tem vontade de se tornar. Professores são portadores de novos horizontes. Mostram-te novas formas de enxergar as coisas, sonham junto com você. E o pior, muitas vezes não veem o resultado de seu trabalho, por ele estar lá no futuro, lá no que será.

A educação, então, torna-se algo complexo, visto que o resultado efetivo dela acontece na fase adulta, na pessoa que aquele aluno se tornou. Provas pouco importam em face da responsabilidade dos atos deste profissional perante as vidas que estão à sua frente e que o seu comportamento interfere e influencia diretamente. O professor pode cativar e assim, como diz a raposa ao pequeno príncipe, tornar-se eternamente responsável por quem cativa. Muitas vidas passam nas mãos dos professores. Portanto, sua responsabilidade é muito pesada, árdua, forte, intensa. Professores amam as causas perdidas (e muitas vezes não saberão se elas foram realizadas).

Saindo da situação de professor (que muito me agrada, mesmo, e até por isso, tendo que carregar toda a responsabilidade que a profissão impõe), me coloco na posição de aluno da escola da vida para parabenizar aqueles que, por livre e espontânea vontade, adentraram ao maravilhoso universo da educação. Parabenizo, hoje, aqueles que estão cuidando do futuro do nosso país, preparando crianças, jovens e adultos para o que virá. Neste dia (e em todos do ano), parabenizo os professores por serem criadores do futuro, por prepararem pessoas para que realizem as suas quimeras. Por ter amor às causas perdidas.

Claudinet Antônio Coltri Júnior é palestrante; consultor organizacional; coordenador da área de gestão da Educação Tecnológica do Univag e escreve em A Gazeta às quintas-feiras. Web-site: www.coltri.com.br - E-mail: junior@coltri.com.br - Twitter: http://twitter.com/coltri

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