Claudinet Antonio Coltri Junior

                      

 
  

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O conhecimento do mundo só pode ser adquirido no mundo, não dentrode um armário. - Lorde Chesterfield

 
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O melhor ou o menor caminho?
 


Há algum tempo eu ouvi uma estória que mostrava a conversa entre dois amigos. Era mais ou menos assim: Um deles estava pedindo emprego ao outro, para seu filho. Devido à amizade, a oferta foi de cargo de assessor direto com salário de R$ 10.000,00. O amigo, assustado, disse: "É muito, meu filho ainda é muito jovem, pode se perder na carreira. Não tem outro?" O colega, então, ofereceu um cargo de assistente com salário de R$ 6.000,00. O pai, ainda achando que não faria bem para o filho, recusou e perguntou se não havia algo mais condizente com a idade e responsabilidade que o filho poderia assumir. Em outra tentativa, o amigo ofereceu um cargo de auxiliar de assistente, com salário por volta de R$ 3.000,00. Ainda não contente, o pai suplicou que arrumasse uma vaga para seu filho que não tivesse um salário nesses patamares para que ele não se perdesse na juventude. Foi quando o amigo, então, deu o golpe de misericórdia: "Eu tenho vagas com salários de R$ 1.000,00, só que precisa de nível superior!".

Se pararmos para analisar a situação de nossos graduandos, ficamos estarrecidos. O mercado de trabalho para o nível superior está praticamente esgotado, superlotado, desrespeitado, desacreditado.

Antigamente, ao se graduar em qualquer área que fosse, a pessoa estava com seu futuro garantido (pelo menos era o que se achava, visto que hoje é o futuro de ontem e a coisa não está bem assim). De qualquer forma, naquela época, graduar-se era sinônimo de uma vida financeira satisfatória no início da carreira. Não é o que vemos hoje. Há uma máxima que percorre a nossa sociedade que diz que a pessoa sai do grau de estudante para o de desempregado. Está muito mais difícil construir uma carreira.

Bem, os tempos mudaram e é preciso tomar consciência disto. Não podemos mais viver no paradigma antigo de achar que apenas a formação basta. Não podemos mais acreditar que um título vai fazer você arrumar um emprego. Ele, o título, é apenas um fator dito higiênico (que são aqueles que, segundo Herzberg, quando presentes não causam motivação, mas quando ausente são desmotivadores). Não ter o título é um fator que pode fazer você perder uma vaga de emprego. Tê-lo, é apenas condição de poder participar da disputa.

Desta forma, mais do que nunca, é preciso planejar a sua carreira. Estamos, mais uma vez, às vésperas de muitos alunos terminarem seus cursos e adentrarem ao mercado de trabalho. A estória do início do artigo tem um tom sarcástico com ensino superior, sem dúvida. Por outro lado, mostra um pai consciente da realidade das profissões e do mercado de trabalho. Ao sair da universidade, é preciso plantar. Ainda não é hora de colher! É o começo, não o fim. Há uma diferença substancial em percorrer o menor e o melhor caminho (poucas vezes eles são o mesmo). O melhor caminho, via de regra, é mais penoso, mais sofrido. Porém, é muito mais rico, mais sustentável, cria alicerces difíceis de serem rompidos.

Antes de sair por aí se aventurando pelo mercado de trabalho, pare para pensar em como estruturar a sua jornada (não a de 40 horas semanais, mas o caminho como um todo). Cuidado para não se queimar. O mercado não perdoa um passo errado. Comece certo, não comece fácil (a menos que o certo e o fácil surjam juntos para você). Não coloque tudo a perder desde o início. Estruture-se, planeje. Se precisar, procure ajuda de um profissional que o auxilie neste início de estrada. Lembre-se sempre: o seu passado tem importância na medida em que você analisou os seus acertos e aprendeu com seus erros; o seu futuro está sendo construído com seus atos de hoje; o seu presente é o que te faz realmente ser. É nele que você, então, analisa o passado, semeia o futuro e constrói as suas realizações. É nele que estão as suas ações. Não viva como se fosse eterno, mas, também, não viva como se fosse o último dia de sua vida. Em uma vida inteira, vivendo assim, você só acertará uma vez. Aí, já será tarde demais. Pense nisso!

Claudinet Antônio Coltri Júnior é palestrante; consultor organizacional; coordenador da área de gestão da Educação Tecnológica do Univag e escreve em A Gazeta às quintas-feiras. Web-site: www.coltri.com.br - E-mail: junior@coltri.com.br - Twitter: http://twitter.com/coltri


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