Claudinet Antonio Coltri Junior

                      

 
  

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Eu olho o mundo da janela, eu vejo um filme além da tela, os dias passam como por encanto. - Renato Motha

 
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O medo das avaliações
 


Se tem um tema que faz pessoas "tremerem" de medo é avaliação. Ser avaliado pressupõe ser observado e ter suas ações, seus comportamentos mensurados por meio de métodos e regras preestabelecidos. É fato que praticamente ninguém gosta de ser avaliado, visto que ela pode "trazer à tona" os defeitos que temos. Ouvir da boca dos outros sobre os nossos defeitos incomoda.

Em tempos passados, as avaliações nas escolas eram muito mais rígidas do que as que vemos hoje (não estou dizendo que eram mais eficazes, eram apenas mais rígidas, com suas vantagens e desvantagens). O resultado, se muito bom, fazia do aluno um astro. Se muito ruim, a cobrança era grande, fazendo-o sentir o gosto amargo da humilhação. As sabatinas eram um terror! Para piorar, as crianças tinham que fazer a prova de admissão entre o primário e o ginasial (faz tempo isso...). Havia repetição de série. Bastava repetir em uma matéria para ter que fazer o ano inteiro novamente (com todas as matérias, inclusive as que o aluno havia sido aprovado). E havia o vestibular com alta concorrência em faculdades públicas e privadas. Literalmente as pessoas eram colocadas "à prova".

Pois bem, devido a vivências que as pessoas tiveram (gerando crenças, véus, cercas em suas cabeças), acabaram por enxergar a avaliação como punição. E era assim mesmo. Caso aparecesse uma nota escrita com caneta vermelha no boletim (aos mais novos: é, as notas eram escritas em pequenos papéis mais grossos e em canetas azuis caso a nota estivesse na média ou acima dela; notas abaixo da média eram escritas com caneta vermelha - por isso dizemos que o aluno tirou nota vermelha quando está abaixo da média), era o fim do mundo. Como mostrar para o pai e para a mãe? Era castigo dos grandes, certamente. Não passar no exame de admissão (segundo pesquisas com pessoas mais experientes, já que não vivi essa época...) ou no vestibular era sinal de inferioridade, de incompetência.

Algumas coisas mudaram (algumas para melhor, outras para pior). Já não há mais a tão temida admissão. Os vestibulares (com exceção de alguns cursos) estão muito menos concorridos (muitos, nem concorrência têm mais). Nas fases iniciais do ensino, os alunos não repetem mais de ano. Nas intermediárias, podem repetir somente a matéria em que foram reprovados. Não há mais sabatinas (não no contexto original - discussões e avaliações aos sábados sobre a matéria da semana). O que não mudou foi o medo de ser avaliado.

Todo esse contexto fez com que as pessoas não entendessem a importância e o sentido da avaliação. Ela não pode ter foco em punição, mas sim em inclusão. Avaliação não é coisa estática com foco no passado. Avaliamos, sim, o que a pessoa sabe, portanto, o passado, mas, a partir dessa análise, o professor nas escolas e os líderes nas organizações não podem excluí-las do seu círculo. Elas não devem ser deixadas de lado. É preciso ajudá-las a seguir o caminho que devem, ou seja, trabalhar para incluí-las no contexto do sucesso. Avaliação tem foco em inclusão a partir do diagnóstico do que precisa ser melhorado.

Nas empresas é mais que importante ser avaliado. Conheço muita gente que foi demitida por não saber se o que estava fazendo era certo ou errado. Não era avaliada metodologicamente. Muitas vezes, o chefe vai se desgastando com o trabalho de seu subordinado, mas não deixa claro onde há o problema. Quando se esgota, demite. Onde há avaliações periódicas e metodológicas, não há surpresas em demissões. A pessoa que tem uma série de avaliações ruins e não se preocupa em melhorar, já sabe que sua "barba está ficando de molho". Mais cedo ou mais tarde, vai ser convidada a deixar a organização.

Em sendo assim, precisamos perder o medo da avaliação. E mais, precisamos solicitá-la aos nossos superiores para podermos ter acesso ao pensamento deles sobre o nosso trabalho. Com isso, conseguimos ter um diagnóstico de onde precisamos mudar. Cientes do resultado, basta decidirmos buscar a melhoria necessária! A decisão, então, passa para as nossas mãos. E, tenha certeza, não há nada melhor do que depender apenas de você! Pense nisso!

Claudinet Antônio Coltri Júnior é palestrante; consultor organizacional; coordenador da área de gestão da Educação Tecnológica do Univag e escreve em A Gazeta às quintas-feiras. Web-site: www.coltri.com.br - E-mail: junior@coltri.com.br - Twitter: http://twitter.com/coltri


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